Arara Canindé: Ara ararauna

A espécie Ara ararauna, (Linnaeus, 1758), popularmente conhecida como Arara Canindé ou Arara-de-barriga-amarela (Sick, 1997), é uma representante da família Psittacidae, sendo a maior da ordem dos Psittaciformes e é uma das seis espécies de araras verdadeiras reconhecidas no Brasil. A principal característica das araras Canindé é sua coloração predominantemente azul na parte superior e amarela na parte inferior, com o topo da cabeça em verde, as faces brancas e quase não apresentam penas, com excessão de fileiras de penas negras que se distribuem próximas aos olhos e região da garganta que também apresentam penas de cor preta (Bianchi, 1998).

A ordem Psittaciformes é composta pelos papagaios, cacatuas, periquitos, araras, maracanãs, entre outros. As aves dessa ordem são de extrema facilidade de identificação, devido a características morfológicas particulares, como o bico alto e recurvado, além de um pé com quatro dedos, dois voltados para frente e dois para trás, denominado zigodáctilo (Sick, 1997).

As Araras Canindé são classificadas como aves de grande porte, podendo ter até 80 cm de comprimento e chegar até os 1,4 Kg de peso. São aves monogâmicas e os machos e as fêmeas não possuem diferenças entre si (dimorfismo sexual). Constroem seus ninhos em troncos ocos de árvores, palmeiras mortas, e, eventualmente, em paredões rochosos. Geralmente esses ninhos estão próximos a fontes de água (Juniper; Parr, 1998). O período de reprodução pode variar de acordo com a região em que ocorrem, geralmente sendo entre dezembro a maio (Bianchi, 1998). Normalmente uma fêmea põe dois ovos a cada período reprodutivo (podendo chegar até a 5 ovos) e o período de incubação dura entre 24 a 26 dias.

A alimentação dessas aves em ambiente natural baseia-se principalmente em sementes e frutos, como o combaru (Dipteryx alata), o buriti (Mauritia flexuosa), o jatobá (Hymenaea sp.), o manduvi (Sterculia apetala) o pequi (Caryocar brasiliense) entre muitas outras espécies de frutos e sementes disponíveis na vasta diversidade do Brasil e das américas (Sick, 1997). Por possuir um bico extremamente forte, sua dieta pode incluir também castanhas que possuem casca com elevado grau de dureza, como por exemplo a castanha-do-pará. Outra característica importante e curiosa é que as Araras Canindé, assim como outras espécies, costumam também frequentar encostas argilosas e barreiros, onde alimentam-se de argila, suprindo dessa forma suas necessidades de sais e minerais além de eliminar possíveis toxinas ingeridas em sua dieta (Sick, 1997).

Houve um período em que a Arara Canindé se distribuía amplamente pelo país, desde a região norte até parte da região sul, no estado de Santa Catarina. A perda de habitat devido à intensa degradação ambiental assim como o comércio ilegal internacional, baixa taxa reprodutiva e alto índice de mortalidade fez com que a espécie fosse perdendo espaço, como é o caso da Venezuela, onde a espécie não é mais encontrada em regiões onde antes ocorriam naturalmente (Desenne e Strahl, 1994).

Os principais fatores na escolha das araras como animal de companhia são principalmente sua beleza e diversidade de coloração da plumagem, além da capacidade cognitiva elevada. Sua plumagem exuberante e muito colorida como também a alta complexidade cerebral faz com que sejam muito apreciados como animais de estimação, pois podem aprender facilmente a imitar sons, palavras ou até frases curtas e diversas espécies chegam a imitar latidos, risos, entre outros (Sick, 1997), geralmente são aves carismáticas e de fácil adaptação em cativeiro. Sua longevidade pode chegar até os 80 anos de idade (Ambiente Brasil, 2020).

Como é comum para aves de cativeiro, no caso das Araras Canindé deve ser disponibilizado um espaço amplo para que a mesma possa desenvolver suas atividades, além do qual o espaço deva prover brinquedos e aparatos para que a ave possa se exercitar e brincar, como por exemplo galhos grandes e cordas. Além do mais, como é comum nessa espécie, os galhos do local onde as araras ficam sempre devem ser observados e/ou repostos pois os mesmos eventualmente podem apresentar sinais de desgaste, isso porque essas aves podem arrancar lascas pequenas com seus bicos poderosos, além de ajudar no desgaste do bico, que está sempre em crescimento. Se acomodadas em espaços pequenos ou gaiolas, mal nutritas, e pouca atenção for ofertada a elas, podem desenvolver sinais claros de stress, como deformação e irregularidade da plumagem, queda ou arrancar de penas ou em casos extremos até a automutilação.https://shopanimal.com.br/

Fontes